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Exclusão de pessoas LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho custa R$ 94 bilhões por ano à economia brasileira

A discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ não produz impactos apenas na vida de quem enfrenta barreiras para acessar ou permanecer no mercado de trabalho. Ela também gera perdas bilionárias para toda a sociedade. Um estudo inédito do Banco Mundial estima que a exclusão dessa população do mercado de trabalho custa R$ 94,4 bilhões por ano à economia brasileira e reduz a arrecadação pública em R$ 14,6 bilhões anuais.
Os resultados foram apresentados durante o “Estatais pelo Orgulho”, encontro que reuniu empresas públicas signatárias do Pacto pela Diversidade, Equidade e Inclusão para debater boas práticas voltadas à diversidade e à inclusão no ambiente de trabalho. O Serpro participou do evento como uma das empresas integrantes da iniciativa.
Inclusão também é desenvolvimento econômico
A pesquisa representa uma mudança de perspectiva sobre a forma de abordar a inclusão da população LGBTQIAPN+. Em vez de tratar exclusivamente dos impactos da discriminação sob a ótica dos direitos humanos, o levantamento demonstra que a exclusão também compromete a competitividade, reduz a produtividade e impõe custos à economia brasileira.
Segundo o diretor-executivo do Instituto Matizes e coordenador da pesquisa no Brasil, Lucas Bulgarelli, esse é justamente o diferencial do estudo: "Por muito tempo, as pesquisas sobre a população LGBTQIA+ se concentraram nas violências e violações de direitos. Esse argumento continua necessário, mas o estudo acrescenta uma nova perspectiva. Mostra como a exclusão das pessoas LGBTQIA+ do mercado de trabalho cria um impacto negativo não só para essa população, mas para todo o país."
Para o pesquisador, quando trabalhadores deixam de acessar oportunidades ou de desenvolver plenamente seu potencial por causa da discriminação, toda a sociedade perde. "Esse é um prejuízo para o país como um todo, porque prejudica a capacidade produtiva do Brasil de se colocar como uma potência mundial", afirmou.
O custo da exclusão
Elaborado pelo Banco Mundial em parceria com um consórcio de organizações da sociedade civil, o levantamento ouviu 11.231 pessoas LGBTI+ em todas as regiões do país e realizou grupos focais para aprofundar as experiências relacionadas à empregabilidade, renda e discriminação no ambiente de trabalho. A metodologia já havia sido aplicada anteriormente na Índia, na Sérvia e na Macedônia do Norte, sendo esta a primeira vez que o estudo foi desenvolvido em um país das Américas.
Os pesquisadores analisaram quatro fatores que impactam diretamente a economia: salários mais baixos, desemprego, inatividade e informalidade entre pessoas LGBTQIAPN+. Somados, esses fatores resultam em perdas anuais estimadas em R$ 94,4 bilhões, o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Além disso, o estudo calcula uma perda fiscal de R$ 14,6 bilhões por ano em arrecadação tributária.
Entre os principais resultados apresentados estão:
- perdas econômicas anuais de R$ 94,4 bilhões;
- perdas fiscais de R$ 14,6 bilhões por ano;
- taxa de desemprego de 15,2% entre pessoas LGBTI+, contra 7,7% da média nacional;
- maior incidência de discriminação entre pessoas trans, não binárias e intersexo;
- perdas salariais que chegam, em média, a 9% em relação à população em geral, com impactos ainda maiores quando considerados os recortes de gênero e raça.
De acordo com Bulgarelli, o desemprego é o principal fator responsável pelo impacto econômico identificado na pesquisa. "A falta de oportunidade que as empresas dão para pessoas LGBTQIA+ produz um prejuízo que não é só para a população LGBTQIA+. É um prejuízo para o país", avaliou.
Na avaliação do pesquisador, ampliar oportunidades de trabalho é uma das medidas com maior potencial para reduzir as perdas apontadas pelo levantamento. "Quando a LGBTfobia ganha, todo mundo perde. O Brasil todo perde. Mas o contrário também é verdadeiro. Quando a gente derrota a exclusão, não são só as pessoas LGBTQIA+ que ganham, mas toda a sociedade", concluiu.
Assista ao evento na íntegra