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Meio Ambiente
Do descarte à transformação: a nova gestão de resíduos do Serpro

O que acontece com um computador quando ele deixa de ser utilizado? Para onde vão os papéis, copos descartáveis, pilhas e demais materiais gerados diariamente em uma organização do porte do Serpro?
A resposta passa por uma mudança de cultura. Com a implementação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), a empresa está estruturando uma nova forma de lidar com os resíduos gerados em suas instalações, transformando ações antes pontuais em um processo integrado de gestão ambiental, alinhado aos princípios da economia circular e da agenda ESG.
Mais do que garantir o descarte adequado, a iniciativa busca reduzir desperdícios, ampliar o reaproveitamento de materiais, fortalecer a reciclagem e aumentar a rastreabilidade de todo o ciclo dos resíduos gerados pela empresa.
Uma nova forma de gerir resíduos
A implantação do PGRS marca um avanço na forma como o Serpro trata a questão ambiental. A gestão dos resíduos passa a ser conduzida por processos padronizados, metas definidas e mecanismos de controle que permitem acompanhar cada etapa, desde a geração até a destinação final.
Outro benefício é a possibilidade de replicar as boas práticas em todas as regionais da empresa. Com isso, procedimentos que antes aconteciam de maneira isolada passam a integrar uma cadeia estruturada de gestão, com padrões comuns e indicadores de acompanhamento.
Atualmente, o Serpro conclui a fase inicial de implementação do plano, dedicada ao diagnóstico das unidades. O levantamento avalia fatores como quantidade de resíduos gerados, processos existentes e infraestrutura disponível em cada regional. As informações servirão de base para a definição de ações específicas, respeitando as características e necessidades locais.
"O PGRS representa uma mudança na forma como a empresa enxerga os recursos que utiliza. Em vez de tratar resíduos apenas como descarte, o Serpro passa a incorporá-los a uma estratégia que combina eficiência, responsabilidade socioambiental e compromisso com o futuro", afirma a superintendente de Gestão Logística, Elayne Dal Col.
Do descarte à destinação correta
A gestão dos resíduos segue um fluxo organizado em quatro etapas principais. A primeira é a separação na fonte, quando os materiais são segregados no próprio local onde são gerados. Essa etapa é fundamental para viabilizar o reaproveitamento e a reciclagem, além de depender diretamente do engajamento dos colaboradores.
Em seguida, ocorre o acondicionamento temporário, que garante o armazenamento adequado dos resíduos até sua retirada. A terceira etapa envolve o transporte, realizado por empresas especializadas e autorizadas, responsáveis por encaminhar os materiais para tratamento ou destinação final.
Por fim, a destinação final assegura que cada resíduo receba o tratamento ambientalmente adequado, seja por meio de reciclagem, compostagem, logística reversa, incineração ou outras soluções compatíveis com sua classificação.
Todo esse processo passa a contar com mecanismos de rastreabilidade que permitem acompanhar o percurso dos resíduos e comprovar sua destinação correta.
Conhecer para transformar
Um dos resultados mais importantes do diagnóstico realizado pelo PGRS foi a identificação dos principais fluxos de resíduos gerados pelo Serpro.
Entre os materiais com maior volume estão as folhagens provenientes da manutenção das áreas verdes, que somam aproximadamente três toneladas por mês. Em seguida aparecem papel e papelão, com cerca de 1,1 tonelada mensal, e os resíduos orgânicos gerados nos refeitórios, que alcançam aproximadamente 900 quilos por mês.
Outro destaque são os copos descartáveis, cuja geração média chega a cerca de 500 quilos mensais. Os números ajudam a direcionar as ações de gestão e demonstram que a realidade das unidades pode variar significativamente. Por isso, as estratégias previstas no plano serão adaptadas às características operacionais de cada regional.
"O diagnóstico realizado pelo PGRS está permitindo mapear os principais fluxos de resíduos gerados no Serpro e compreender as particularidades de cada regional. Essas informações são fundamentais para estruturar ações mais eficientes, definir prioridades e ampliar os resultados das iniciativas de sustentabilidade da empresa", afirma o gerente de Logística do Serpro, Eduardo Castor.
Sustentabilidade que gera valor
Além dos benefícios ambientais, a gestão adequada dos resíduos também gera ganhos operacionais e sociais. Materiais recicláveis podem retornar à cadeia produtiva, reduzindo desperdícios e estimulando a economia circular. Equipamentos eletrônicos seguem processos de logística reversa e destinação adequada, evitando impactos ambientais e permitindo o reaproveitamento de componentes e matérias-primas.
O plano também prevê o fortalecimento de parcerias com cooperativas e organizações especializadas, ampliando a geração de renda e promovendo inclusão social por meio da reciclagem.
"Ao estruturar processos, criar indicadores e ampliar a rastreabilidade, a empresa reforça que inovação também significa encontrar novas formas de gerar valor para a sociedade, inclusive a partir daquilo que antes era visto apenas como resíduo", conclui a líder do Projeto Estratégico ESG, Valeria Lemos Silva.