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Serpro lança IA Brasil no Febraban Tech com dados e processamento mantidos no país

O Serpro anunciou, na quarta-feira, 26, último dia do Febraban Tech, o lançamento da IA Brasil, plataforma voltada a organizações que querem incorporar inteligência artificial aos negócios mantendo maior controle sobre seus dados e sobre a forma como são processados. O anúncio foi feito por Carlos Rodrigo Fonseca Lima, superintendente de Inteligência Artificial da empresa, durante palestra que também apresentou ao setor financeiro uma aplicação em escala de outra frente de IA do Serpro: o uso de biometria para identificação e controle de acesso no próprio evento.
Na IA Brasil, os dados permanecem integralmente no Brasil, onde também ocorre todo o processamento. A arquitetura combina modelos de diferentes portes e tecnologias de IA selecionadas de acordo com a necessidade de cada aplicação, a partir de uma compreensão de soberania que não significa isolamento tecnológico, mas capacidade de governar ativos estratégicos e manter controle sobre dados e processamento.
A plataforma reúne uma família de modelos de diferentes portes, dos compactos, com até 12 bilhões de parâmetros, aos de grande porte, acima de 120 bilhões. Essa variação tem efeito direto sobre o custo: como o preço dos tokens ainda é um obstáculo à adoção de IA no mercado, modelos dimensionados à complexidade de cada tarefa e capazes de raciocinar em português tendem a ser mais rápidos e econômicos. A partir dessa base, equipes do próprio Serpro treinam modelos especialistas para cenários específicos, executados na infraestrutura da empresa.
A abordagem leva para o ambiente empresarial uma discussão que ganha relevância à medida que modelos e agentes de IA passam a participar de processos críticos, como análise de documentos, prevenção a fraudes, gestão de riscos e atendimento. Nesse cenário, localização e proteção dos dados, rastreabilidade, dependência tecnológica e continuidade dos serviços passam a integrar a própria gestão de risco das organizações. “Soberania em inteligência artificial não é uma discussão abstrata nem significa abrir mão das melhores tecnologias disponíveis. Para uma empresa, significa saber onde estão seus dados, onde eles são processados, quais tecnologias participam daquele processo e ter capacidade de governar essas escolhas. Isso tem impacto direto em segurança, continuidade dos negócios, governança e tomada de decisão”, explicou Carlos Rodrigo.
Para o setor financeiro, modelos soberanos da IA Brasil podem apoiar aplicações em análise de risco, prevenção a fraudes, compliance, inteligência regulatória, análise documental e automação de processos, além do desenvolvimento de assistentes e agentes especializados no contexto de cada instituição. A plataforma também pode ser associada aos serviços de acesso a dados de fontes oficiais e aos recursos de confiança digital já disponibilizados pelo Serpro, abrindo espaço para aplicações que combinem inteligência artificial, informações qualificadas e maior controle sobre processos críticos.
De 700 usuários a mais de 300 mil validações: biometria ganha escala no Febraban Tech
A aplicação de inteligência artificial em biometria também esteve no centro da apresentação. Carlos Rodrigo dividiu o palco com Kleytton Belarmino, responsável por Controle de Acesso Corporativo da Intelbras, para mostrar a evolução do uso do reconhecimento facial no próprio Febraban Tech. Em 2023, cerca de 700 participantes utilizaram a tecnologia em uma validação pontual, realizada no credenciamento. Em 2026, a biometria passou a acompanhar diferentes momentos da jornada do participante, ampliando seu uso para acessos e circulação em diferentes ambientes do evento.
Ao longo dos três dias desta edição, foram realizadas mais de 310 mil validações biométricas. O volume dimensiona a mudança de escala da operação: mais do que ampliar o número de usuários, a tecnologia passou de um ponto específico de conferência para uma infraestrutura utilizada ao longo da circulação dos participantes. A edição de 2026 contou ainda com mais de 25 catracas e 100 equipamentos de reconhecimento facial distribuídos entre os pontos de acesso e credenciamento.
Nesse modelo, o Serpro atua na camada de confiança da identidade por meio do AIBio, sua plataforma de inteligência artificial e biometria, que permite validar a identidade a partir do cruzamento de dados cadastrais e biométricos com bases oficiais de governo. Confirmada a identidade, a tecnologia da Intelbras conecta essa informação ao controle de acesso físico por reconhecimento facial. Os palestrantes também apresentaram possibilidades de aplicação do modelo em bancos, fintechs, escritórios, áreas críticas e outros ambientes corporativos, conectando a confirmação segura de quem a pessoa é à definição de onde ela pode entrar.