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Software Livre
Profissionais do Serpro têm plateias cativas no Fisl16

Emerson Saito: "Demoiselle é um 'pré-moldado tecnológico"
De vez em quando se ouve nos corredores do Serpro a ideia de que, seja lá qual for o conhecimento que se procure em TIC, é muito provável encontrar uma pessoa da empresa que seja especialista no assunto. Descontada a pretensão de abrangência, é fato que o Serpro possui um corpo de especialistas numeroso, e muitas pessoas dedicadas a compartilhar conhecimento comparecem aos eventos em que a organização participa.
É o caso de Emerson Saito, já conhecido no meio como especialista em Demoiselle. Ele fez palestra, oficina e minipalestra sobre o tema no Fisl16, encerrado no último sábado, 11, em Porto Alegre. Nas três ocasiões, foi procurado à saída por gente querendo saber mais, fossem detalhes técnicos ou até perguntas inusitadas como “quem não sabe nada de programação pode usar Demoiselle?”. O profissional responde com uma imagem que define a ferramenta: “Poder até pode, mas é como alguém que não conhece construção civil tentar erguer uma casa pré-moldada”, compara. “À primeira necessidade de ajeitar uma porta que não encaixou direito ou de lidar com um encanamento diferente, vai ser exigido um conhecimento básico que a pessoa não tem. Agora, um construtor vai festejar a casa pré-moldada porque facilita muito seu trabalho, apesar dele ser capaz de erguer uma construção do zero”, continua. “Com o Demoiselle é a mesma coisa. Para quem desenvolve, e sabe pelo menos um pouco de Java, é um facilitador muito poderoso, porque evita erros e economiza o trabalho de escrever códigos repetitivos, economizando tempo e inspiração para os problemas novos de cada projeto”, explica.
Saito também destaca que um dos fortes do Demoiselle é que ele não é só o framework: a comunidade que o desenvolve é muito ativa, e o curso Demoiselle, disponível via web gratuitamente, oferece não só o conhecimento sobre o framework, mas também sobre os pré-requisitos, como Java, infraestrutura, modelagem de software.
Perto da máquina
Já o profissional Júlio Cezar Neves, também do Serpro, provocou as pessoas que lotaram uma sala no Fisl16 com o convite de conhecer Shell a fundo, uma linguagem “que está mais próxima da máquina do que das pessoas”, define. “Para ter Linux, ou Unix, precisa haver Shell. Um não existe sem o outro. Cada clique no mouse se transforma em uma linha que é executada em Shell. Quando você trabalha com mouse, executa tudo que a interface gráfica te deixa executar. Agora, direto no Shell, você pode tudo, e em tamanho bastante reduzido”, diz. “Para quem trabalha com redes, com administração de sistemas, é uma alternativa muito proficiente. Por isso sempre venho aos eventos falar dessa linguagem, porque a considero fundamental”, destaca Júlio.
Outro tema que atraiu público interessado, em pleno início de noite de sábado, foi a palestra “Redes definidas por software sobre computação em nuvem”. Ministrada por Davis Victor de Oliveira, a apresentação contou com uma hands-on para demonstrar, em tempo real, como se comporta a rede operada por software. Um pouco antes, Adail Horst falou, em outra sessão concorrida, sobre monitoração usando Zabbix e extensões. Destacou a importância de se utilizar software livre no gerenciamento de TI das instituições e da monitoração contar com camadas integradas, indo além do acompanhamento da rede.
“Educação existe desde antes que a escola”
Concluindo a participação do Serpro no Fisl, Antônio Carlos Melo discorreu sobre educação, tradicionalmente uma das temáticas principais do fórum. Recorrendo a Paulo Freire e a outros teóricos, o palestrante destacou que o ensino-aprendizagem é anterior à institucionalização do saber. Antônio Carlos também pontuou que a educação deveria continuar a disseminar técnicas e saberes entre gerações, principalmente pela via do compartilhamento, que potencializa consciência e liberdade. Um modelo bastante próximo da produção das tecnologias abertas, evidenciando o sentido do título da apresentação, realizada também na noite de sábado: “Educação, trabalho decente e software livre”.